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Disseram-me: ontem à noite ninguém esteve aqui. Mas a casa, porque está iluminada? Porque se ouvem os passos habituais no corredor? Porque ficou, na escada uma sombra esquecida?
Sim: ontem à noite, o silêncio transformou-se em música de obscuras presenças – como se não bastasse o vento no silêncio dos quintais;
e reconheci, pelo que me disseram, o eco da tua voz, e até algumas das palavras que, outrora, trocámos entre vinho e risos. (Como, no entanto, responder-te? Se atrás da porta, sob a primeira impressão de vida, só o frio, e a humidade do Inverno, me acolhem?)
envio amelia pais
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